
em algumas manhãs desse mês
acordamos com o chão coberto pela geada –
branquinha, branquinha
espero que ela seja acompanhada de alguns frutos,
os pessegueiros já florescem
daqui a pouco será a vez das ameixeiras,
laranjeiras, pereiras, amoreiras…
as bananeiras se foram,
será que retornarão?

Me pergunto: qual a importância dos materiais no fazer arte e artesanato hoje?
Lendo o livro: Kama kara mita yakimono (a cerâmica vista a partir do forno), percebi que muitas comunidades de ceramistas no Japão se instalaram perto do local onde coletavam argila. O forno, por sua vez, também não poderia ser construído muito longe, geralmente ficava próximo às montanhas, à fonte do barro. A dificuldade em transportar materiais pesados ajudou a moldar essa relação de proximidade.
Aqui nas Américas, o barro também foi (e ainda é) amplamente coletado para a produção de cerâmica, tijolos e tantas outras coisas. A argila é abundante por aqui. Ainda assim, hoje é mais fácil e comum comprar uma argila que vem da indústria, extraída em diversos lugares, transformada em uma massa cerâmica, embalada, homogênea, segura, consistente, pronta para ser usada e queimada.
Esse questionamento surgiu durante a discussão do cap 4 do livro: Folk Art Potters of Japan – Beyond na Anthropology of aesthesics, do antropólogo inglês Brian Moeran. Discutida no GEAS – Grupo de Arte e Sociedade. O texto aponta como o barro e o modo de preparo dele influenciam diretamente o ritmo da comunidade. E me pergunto, atualmente, como a argila comprada afeta o ritmo da produção de cerâmica?
Essa pergunta puxa outras. Sempre admirei quem trabalha com argila coletada. Mas, em um dado momento, decidi que não era a hora para mim. Uso argila e cinzas coletadas nos esmaltes e engobes. Tenho algumas justificativas, a primeira é a falta de conhecimento. A segunda, a ausência de equipamentos de preparar a argila. Terceiro, por medo: medo de que a argila derreta no forno e danifique o equipamento, medo de não sinterizar (se a argila não sinteriza, ela fica porosa e retém líquidos). A quarta é mais intuitiva: sinto que o forno a lenha dá vida à argila coletada – e, sem ele, algo se perde.
Há também uma resposta mais coletiva: aqui, onde estou, não há herança cultural viva da coleta de argila. Ela existia, mas, como sabemos, os povos originários que detinham esse saber foram expulsos, silenciados, mortos desde os tempos da colonização e seguem sendo ameaçados até hoje.
Quais seriam, afinal, os motivos para usar argila coletada? Apenas uma escolha estética? Sustentável?
Aqui, empresto o desejo de Nego Bispo: desejo de se relacionar, na poética de se relacionar com a terra. Estar junto.
A argila coletada pode contar a história desse território. E, ao não coletá-la, sinto que estou perdendo a chance de conhecer a história a partir do barro. Perdendo a chance de me relacionar com o território a partir do barro.
Fazer o próprio material é complexo. Muitas vezes, outras pessoas são responsáveis por essa parte, um trabalho que quase sempre é invisibilizado. Assim como cortadores de lenha… Essas práticas eram viáveis porque existia coletividade. Mas como fazer algo assim sem uma coletividade em torno?
Além disso, no Brasil há uma grande preocupação com a sinterização da argila. Isso também me impediu, por ora, de tentar preparar a minha. Mas nem sempre foi assim. Nossas argilas ricas em ferro não precisam sinterizar — e talvez devêssemos acolher essa característica. Como a Talita trouxe no grupo: porque não abraçar essa “não sinterização” e, com ela, criar outros caminhos, outros encontros.

Quero conhecer o que está perto.
Saber mais sobre a origem dos materiais que usamos, sobre seus processos, e contar histórias a partir deles. Nosso solo, tão antigo, é também profundamente potente.
Quem sabe um giro decolonial nessa prática? São ideias… que espero poder colocar em prática.
Estar-com-a-terra.

Agradeço aos geólogos Ruvi e Maci pelo campo!

No fim do mês, estive em Curitiba para participar do festival: Pan-cinema, que este ano teve como foco o Japão. Fui ajudar na tradução e participei da oficina Cinema Abstrato 3D: imagem e música artesanal, com Takashi Makino. Durante a oficina, ele compartilhou seu processo artístico e sua forma de comunicação com o público. Pude aprender mias sobre uma abordagem analógica do cinema. Foi incrível. Os trabalhos finais da oficina… ficaram bons demais.
Patrimônio Vivo de Piên
(esse trecho merece a menção dos nossos mais profundos agradecimentos e do reconhecimento pelo trabalho da Olaria Cultural, sob batuta da Lia Marchi e da Carol Mira. Vocês não soltaram o pino da granada: sulcaram a terra e plantaram sementes potentes)
Tudo começou com um anúncio na Rádio Piên, veiculado e ouvido enquanto eu esperava sair o almoço na casa dos avós. Não me recordo dos detalhes da chamada, mas palavras como cultura, Piên, curso, convite me levaram a pensar algo como: “Hmm… Acho que temos que ocupar esse espaço”.
Mais um feliz acaso.
Foram 40h de curso (literalmente, já que foram 10 aulas de 4h cada uma – e a Lia e a Carol, professoras, faziam questão de que cada aula durasse exatamente 4h ou mais – das 18h30 às 22h30). Todas as aulas aconteceram a noite, no terceiro turno de todos nós, trabalhadoras e trabalhadores da educação, de fábrica, da cultura, da agroecologia… O curso, oferecido pela Olaria Cultural de Curitiba, buscou, oficialmente, disseminar noções de patrimônio cultural imaterial – ou seja, práticas culturais que caracterizam e sustentam os modos de viver particulares da comunidade – no caso, a comunidade de Piên. De modo objetivo, além das aulas expositivas, o curso estimulou a realização de pesquisas particulares de cada participante, que resultou na exposição ocorrida no dia 9 de julho.
Cavalgada, Coscorão, Causos e contos, Sementes Crioulas, Pão de Fornalha, Laçada e muitas outras práticas culturais relevantes para a cultura de Piên se materializaram em pesquisas belíssimas compostas de modo coletivo pelos participantes do curso. E na noite da abertura da exposição, o orgulho e a comoção transbordava em cada abraço e sorriso que a Biblioteca Municipal de Piên abrigou.

Ao longo do curso, era possível ouvir alguns sussurros: “Podia ter vindo mais gente né?”; “Não tem nenhum conselheiro de cultura aqui… Eles não queriam tanto ser conselheiro de cultura? E agora não tem nenhum aqui pra ajudar a pesquisar e escrever sobre a cultura do Piên?”; “Piên não tem quase nada escrito sobre a própria história, sobre a própria cultural…”; entre outros…
A impressão geral foi de que o movimento foi tratado com desdém e subestimados pelos agentes públicos de Piên. A gente que vive na cidade, sabe muito bem perceber quando esses agentes se engajam nos eventos. É verdade que a Secretaria de Cultura cedeu o espaço para a realização do evento, bem como uma van para levar os participantes para uma aula no município vizinho, em Tijucas do Sul. Mas sejamos francos: estranho seria se a Secretaria de Cultura não cedesse esse espaço. Como cidadão, é o mínimo que eu esperaria. Reconhecer a abertura é importante, mas é preciso ser justo: não se trata de um gesto nobre, de grande esforço, mas de uma obrigação republicana, ou seja, se o acesso à cultura é um direito do povo e sua promoção um dever do Estado, não estaríamos errados em assumir que a Secretaria de Cultura fez apenas cumprir com um dever: seu dever de facilitar atividades culturais, abrindo a Casa da Cultura para abrigar os encontros sobre cultura. Se o dever foi bem ou mal cumprido, cabe debate, mas é preciso reconhecer, na medida certa, que ele foi minimamente cumprido.
E para ser sincero, meu ponto de vista é de que a composição do grupo não poderia ter se dado de maneira melhor. Pessoas de origens distintas, com modos de perceber e viver a vida distintos; uma reunião improvável de subjetividades diversas, mas que rendeu a formação de um coletivo unido pelo desejo e pela falta: a falta de coletivos como esse na cidade, com um propósito como esse: pesquisar e escrever sobre a própria cultura, sobre o próprio lugar que habitam, registrando o passado, descrevendo o presente e imaginando futuros coletivamente; e o desejo de disseminar essa prática para quem mais se sentir inclinado a trabalhar junto por ela, de modo autônomo e com afinidade de propósitos. Ninguém ali foi obrigado ou obrigada a estar ali; ninguém foi forçado a comparecer e permanecer nas aulas das 18h30 às 22h30 por dez dias – como foram os funcionários de cargo de confiança da Prefeitura na Conferência Municipal de Cultura, conforme mencionamos na última newsletter. Ainda assim, quem foi e quem ficou no curso do Patrimônio Vivo, sentiu a alegria que é fazer parte de uma coletividade difusa mas, ainda assim, determinada e alegre.
O coletivo segue unido. O curso acabou, mas a abertura da exposição foi também a abertura de um horizonte potente pra cultura de Piên. O grupo segue unido e se unindo, imaginando e trabalhando coletivamente para que esse projeto seja expandido.
Eis os próximos passos:
Primeiro passo: seguir se re-unindo, seguir expondo e apresentando nosso trabalho, seguir transmitindo o que aprendemos e descrevemos a partir do nosso curso e das nossas pesquisas;
Segundo passo: conseguir financiamento público via Política Nacional Aldir Blanc de incentivo à cultura para aprofundar nossas pesquisas e transformá-las em um fotolivro – o primeiro de seu tipo na história da cidade – e, com isso, consolidar nosso trabalho e o que aprendemos durante essa jornada;
Terceiro passo: ampliar os ramos de atividade do grupo, mantendo-se sempre aberto para a chegada de novos membros e membras movidos pelos mesmo desejos e propósitos;
Quarto passo: aproveitar a jornada, com disciplina, união e alegria, pois sabemos que a caminhada é longa, trabalhosa e pode sofrer investidas autoritárias ou mau intencionadas. Paranoia da minha parte? A história ensina que não, não é paranoia: é atenção aos detalhes, discernimento e consciência de que o potencial desse grupo pode ser encarado como uma afronta ao interesse político estabelecido da cidade. Por isso eu reforço: é preciso estar atento e forte. Do nosso lado a gente tem a beleza e a potência do que fizemos até agora, e do que pretendemos seguir fazendo até onde a vida nos permitir fazer juntas e juntos.
Se na última newsletter o tom era do desânimo natural derivado de uma derrota recente, nessa newsletter é o ânimo de novos caminhos abertos pela boa vontade de gente boa que compartilha os mesmos anseios que a gente. E não para por aí: sábado passado, dia 02 de agosto, outro grupo se uniu, com propósitos semelhantes. Mais um grupo diverso, improvável, mas com vontades de fazer verter novas correntes culturais na cidade. Mas sobre isso a gente vai deixar pra falar na newsletter de agosto.
Até lá =)
agora, ficamos contentes em poder compartilhar os trabalhos com vocês:
Gabi – agricultura, seleção e partilha de sementes crioulas em Piên
Maci – Os saberes dos coletores de pinhão
Ivan – É tudo processo”: o trançado do balaio campesino

Cinenômade
“De olho na estrada pra partir / Quantas vezes mais for necessário o ritual/
A van carrega de estopim / Munidos de ideias e vontades de poder”
Dead Fish, Asfalto
Uma mulher. Jovem – prestes a completar 30 anos. Medindo 165 centímetros. Olhos atentos e nervosos, sem deixar de exalar um ar distraído. Diante do volante da Sprinter, carregava com ela: Erick, Fábio, Danilo, Leo e Maci. Saíram de Piên às 19h de sexta-feira, 11 de julho, e quando o relógio quase batia à meia-noite, puderam vislumbrar a claridade da ponte Hercílio Luz, alumiando a baía de Florianópolis como se fosse uma pista de pouso: chegaram à Ilha de SC para a última sessão da I Temporada do CineNômade.
Levando à sério a proposta de desterritorialização do cineclube, levamos a última sessão para a Aresta Equipamentos, também conhecida como “casa da Bárbara Pettres e do Luciano Trevisol”.
O varal de lâmpadas iluminava o fundo da casa com uma cor quente, deixando tudo tão aconchegante como um filme dos estúdios Ghibli. Mas como todo projeto amador mantém aquela larga margem para que as coisas não saiam necessariamente como o planejado, não foi surpresa quando o som do filme – Phantom Thread, do Paul Thomas Anderson – resolveu não sair das caixas de som. O esforço coletivo tentou contrariar o destino – obviamente sem sucesso.
Como mar calmo não faz bom navegador – e como a maioria dos presentes ali era mais ou menos habituado a navegar contra a corrente agitada do amadorismo insistente – a paciência se instalou e serviu para que a contingência se convertesse em matéria prima para criarmos uma solução coletiva que se mostrou ainda mais potente do que a exibição do filme planejado.
“Bem, já que deu ruim com esse filme, porque a gente não aproveita que estamos na presença de cineastas e exibimos os filmes delas?”
VÃNH GÕ TÕ LAKLÃNÕ e estar-com-a-terra foram projetados no pano branco instalado pelo Luc nos fundos da Aresta, atravessando a todas e todos de maneira profunda e, na sequência, a conversa com os realizadores e realizadoras do filme fez com que tod_s os presentes festejassem acasos felizes, abraçando a contingência: o amor fati nem sempre é feito de sacrifícios.

Zona Autônoma Temporária foi e segue sendo uma ideia importante pra mim.
a conheci por indicação do Sérgio Leite Barboza, quando ainda compartilhávamos o teto da casa do Sambaqui. ele tinha aquele livrinho de bolso da Conrad: TAZ (Temporary Autonomous Zone) – Hakim Bey. lemos ele entre amig_s, o que me ajudou muito a aprender mais sobre as possibilidades dessa ideia. e por mais que ela possa soar meio datada e ingênua, sinto que ela ainda fundamenta boa parte das minhas iniciativas de promoção de encontros… é como ouvir as bandas da minha adolescência e sentir que as letras ainda batem com os meus princípios éticos.
sinto que eu ainda estou entendendo essa ideia, porque, como é comum ao pensamento anarquista, é a prática que dá sentido à teoria, e toda vez que vivo uma TAZ, é sempre diferente: porque o bando é diferente, porque o contexto é diferente, porque o presente histórico é diferente, porque eu estou diferente. mas toda vez ela deixa marcas profundas, me ensinando muito e dando sentido à jornada.
a primeira temporada do CineNômade foi mais uma dessas Zonas Autônomas Temporárias: livre, móvel, desterritorializante-desterritorializada, rica em imaginação, efêmera, autocrítica e, sobretudo, alegre. uma fresta no tecido da rotina neoliberal, em que puderam florescer encontros potentes, abrindo caminho para novas possibilidades – por mais singelas que sejam.
e isso só foi possível graças a todas e todos que fizeram parte desse bando. por isso: muito obrigado! evoé!
p.s.: muito obrigado, Danilo Teixeira, pela foto da capa e pela cumplicidade na agitação do rolê tmj.

Não é todo dia que o sol brilha daquele jeito que brilhou no final da tarde do domingo. Tod_s sentad_s sob a árvore que vive na frente da porta da casa da Bere e do Sérgio, jogando Ito. Algum trago na corrente sanguínea, o estômago forrado de boa comida, o peito aquecido pela boa companhia e a vontade de viver uma boa vida em bando potencializada pela qualidade dos encontros daquele final de semana e da primeira temporada do cineclube. Então chegam os anfitriões com um bolo de aniversário “surpresa”: no dia seguinte a Gabi completaria – como de fato completou – 3 décadas de vida. Não tinha chave, mas a luz dourada daquele final de tarde premiou tod_s nós com uma memória que, não tenho dúvidas, vai servir como tônico para os momentos mais difíceis das vidas de cada um de nós.
Se é isso o que pode um cineclube movido pela amizade e pela afinidade, eu quero mais.
Receita do mês: ravioli com recheio de brócolis e tofu
numa conversa aleatória, num bar no Japão, percebi o quanto a comida é importante por aqui. não nomeamos como eles as receitas – a gente explica, saboreia, se reúne em volta do fogão, da mesa. cozinhar junto é cuidar junto.
no final do mês nos reunimos com nossos amigos Débora e Fábio para fazer algo que amamos muito: cozinhar.
A receita desse mês nasceu desse encontro.
de manhã passei na feira Quintal, em São Bento do Sul, onde comprei alimentos da agricultura familiar da região – agroecológicos e orgânicos.
A massa:
Usamos a receita da massa do livro: Todas as sextas-feiras, de Paola Carocella, https://paolacarosella.com.br/receitas/ravioli-de-espinafre-ricota-manteiga-e-salvia/

O recheio para ravioli: brócolis com tofu
. brócolis (usamos apenas as flores – o restante foi para outras receitas)
. tofu
. sal
. manteiga e banha de porco para finalizar
Essa é uma receita bem simples.
Picamos bem fininho só as flores do brócolis.
Deixamos o tofu escorrendo numa peneira por um tempo para perder parte da água.
Depois, amassamos com as mãos até ele se desfazer, lembrando ricota.
Misturamos os dois ingredientes na panela e deixamos refogar até o tofu ficar mais sequinho. Finalizamos com sal e pimenta – mas você pode usar os temperos que quiser.
Montamos os raviólis, cozinhamos por alguns minutos em água fervente, e então finalizamos com uma colher de manteiga e uma colher de banha de porco. Aqui, também dá para adicionar algumas especiarias – a gosto.

Calendário:
3ª Festa das Sementes Crioulas de Piên
10 de setembro de 2025
A partir das 12h
📍Salão da igreja da Campina dos Crispins, ao lado da Escola do Campo Santa Isabel Neste ano, a programação será especialmente dedicada às crianças da escola, com oficinas e outras atividades. Em breve, vamos divulgar mais detalhes.
Informações: (48) 99801-8311 (41) 99968-8358
Até mês que vem,
Gabi e Ivan






2 respostas para “carta_02_julho.2025”
Do começo dessa carta até o fim, ecoou na minha cabeça a expressão mais potente de vocês: estar-com-a-terra e, depois dessa leitura maravilhosa, vejo que vocês também expressam no modo de viver de vocês o ser-com-a-terra.
Vocês estão e são com a terra. Voces sao como alguns cogumelos, adaptáveis a diversos ambientes, mas cujos micelios proliferam, criam conexões mais fortes e frutíferas em condições propicias oferecidas pela terra.
A vida campesina, a dedicação à agroecologia, à vida próxima à natureza de forma geral, que vocês têm nos ensinam como ser-com-a-terra, além de estar, é o auge da vida moderna. Digo auge porque eu acredito que a melhor coisa que podemos fazer no caos que estamos imersos na atualidade – para a sanidade individual e coletiva – é o Êxodo urbano. A volta e aproximação à natureza, ao mato. Acho que chegamos num ponto de saturação da urbanidade e sempre que saturamos, tendemos a ir em direção ao extremo oposto – estar-com-a-terra.
Desculpe as divagações, amigues, mas essa leitura mensal da Estufa Cultural sempre me provoca reflexões interessantes. Assim como nossas conversas periódicas – que saudade já de trocar ideias com vcs.
Mais uma vez, queria parabenizá-los pelos projetos! Sempre um sopro de esperança ver a atuação de vcs em frentes tão importantes para a (r)existencia cultural.
Se me permitem mais uma analogia ao reino fungi (a produção de cogumelos na Estufa realmente me deixou em êxtase)…
Alguns esporos, apenas, são capazes de fazer crescer diversos cogumelos. E, com uma busca rápida na internet, me lembrei que os esporos são geralmente resistentes a condições ambientais adversas e podem sobreviver por longos períodos até germinarem. Assim como vocês atuando à frente da Estufa Cultural: mesmo com as condições adversas para a produção cultural, agroecologica, ativista e até mesmo acadêmica, vocês seguem resilientes e todas as sementes que estao plantando irão germinar!
Queria tanto escrever mais sobre as reflexões que tive a partir dessa leitura, mas vou deixar para falar mais no nosso próximo encontro “em pessoa”, ainda que seja virtual.
Obrigada por essa carta, amigues! Amo vcs.
As cartas da estufa me trazem a nostalgia da internet escrita, que quase nem existe mais; Aquela que informava sobre o que se passava d’outro lado do mundo, mas sem exageros, sem urgência. Era o tempo da absorção reflexiva, onde cada palavra postada carregava pensamento, pausa e intenção.